Pausa para o café
29 dez 2011 Deixe um comentário
Há muito tempo já não consigo dedicar o tempo que gostaria para escrever aqui. Trabalhos e estudos tem consumido muito dos dias em que eu gostaria simplesmente de sentar e ler sobre comida, apenas. Então, o e-Bistrô está dando uma pausa para um café. E se não houver uma rede para acomodar o sono depois, quem sabe ele volte. Enquanto isso, reflexões sobre comida, e outras coisas mais continuarão a ser feitas em meu blog pessoal, o die Welt, cujo endereço é http://alinesgarbi.blogspot.com
Preparando o estômago (e o bolso)
22 ago 2011 Deixe um comentário
Claude Toisgros, Helena Rizzo, Carla Pernambuco, Rogério Fasano são alguns dos nomes de peso do Semana Mesa São Paulo, promovido pelo Centro Universitário Senac, em outubro. O evento começa só em 25/10, mas quem fizer inscrição até 31 de agosto paga mais barato – ou menos caro. O pacote de três dias de evento para o público em geral sai a R$ 990, até esta data. Depois, o preço sobe. E bastante. Para quem quiser saber mais, a programação completa está no site.
Onda orgânica
21 jul 2011 Deixe um comentário
Começa hoje a Bio Brazil Fair, no Ibirapuera!
Corram lá no site para ver as informações! O evento vai até domingo, e pode ser uma ótima oportunidade para casa geleias, massas, carnes… tudo orgânico!
Gente versus Comida
14 jul 2011 Deixe um comentário
Não é de hoje que se discute a questão da fome no mundo. Para pessoas que, como eu, estão em São Paulo – “Capital Mundial da Gastronomia” – esta parece uma realidade distante. Mas não é preciso cruzar o Atlântico até a África para se deparar com quem não tem o que comer, ou para quem come feijão com farinha todo dia porque é o que tem “pra” hoje. Contra a cultura do consumo desenfreado, da produção de alimentos industrializados, criados à base de agrotóxicos, hormônios e abate de animais de maneira cruel, há quem defenda o retorno as raízes, a horta caseira, a galinha de granja…
Eu mesma, crescida em São Paulo, tive oportunidade de sempre passar as férias na casa dos avós, num sítio, no interior paulista. Comi fruta do pé, galinha de granja, porco criado com “lavage”. Ajudei minha avó a regar a horta, de onde saiam todo o tipo de verduras… E acho que seria uma delícia se todos nós pudéssemos comer desta forma ainda hoje. Sim, porque o sabor é, de fato, inigualável.
No entanto, o tamanho da população mundial já torna este processo inviável. Esta semana, ao ler um artigo do ex-Secretário do Meio Ambiente de São Paulo, cheguei à conclusão que estamos diante de uma equação que parece insolúvel: 18,1 bilhõe versus 13,4 bilhões. Esta é a diferença entre o total de hectares necessários para alimentar a população mundial, e o total disponível. A solução imediata seria mudar nossos hábitos de consumo. Mas, de que modo isso traria, de fato, algum impacto a quem, de fato, passa fome?
Já há uma corrente que sugere que nós, seres humanos, precisaremos aprender a tirar nossos nutrientes de outras fontes, como insetos, por exemplo (leia mais). Alex Atala dividiu, em entrevista ao Roda Viva, na TV Cultura, suas experiências provando insetos ao redor do mundo. Mas é preciso confessar que, incialmente, é difícil trocar um belo prato de arroz com feijão por um gafanhoto salteado na manteiga.
A natureza, de quando em quando, dá demonstrações de força, como que querendo chegar a uma solução, pelo modo mais cruel, e mais direto: eliminando as pessoas. Mas, se não é isso que queremos, obviamente; e também não sabemos para onde vamos, será que há luz no fim do túnel?
*Foto: Stock.xchng
Chá & Chocolate
15 abr 2011 Deixe um comentário
Para quem gosta de chá, a novidade da Páscoa é a Tee Geschwendner – A Loja do Chá, que lançou um blend para ser harmonizado com chocolate! Ele combina erva rooi (um arbusto sul-africano), chá branco, pedaços de caramelo, morango e maçã, além de flores de hibisco, rosa mosqueta e cascas de laranja e limão. Por R$ 37, você leva 50g, e ainda pode aproveitar a visita para levar ovos de chocolate feitos com chá verde e earl grey, entre outras variedades de chás.
***Foto: Divulgação
Gulasch por Grilos
15 abr 2011 Deixe um comentário
Este é o título da matéria publicada na alemã der Spiegel, sobre comermos insetos. A matéria trata de um jantar promovido por biólogos e outros profissionais da área de meio ambiente, que defendem o uso destes bichinhos na culinária. O menu inclui iguarias como formigas, e minhocas em formato de pretzels.
Os entrevistados alegam que, com o crescimento vertiginoso da população mundial, ficará cada vez mais difícil alimentar a todos – o que já não ocorre. Além disso, a criação de animais para o consumo da carne não é considerado sustentável – no Brasil, por exemplo, a maior parte da produção de soja se destina à alimentação de bovinos, o que implica em áreas cultiváveis imensas com um único produto que, em grande parte, não se destina diretamente ao consumo humano.
Portanto, os defensores da ideia, na matéria, alertam para uma mudança que será mais necessária do que desejada.
Se puxarmos a história da alimentação humana, perceberemos que os hábitos alimentares são diferentes não apenas de cultura para cultura, como também de uma época para outra. Antes do fogo, tudo era cru. Houve um tempo em que gordura excessiva era necessária para dar a energia que o homem precisava para longas jornadas, ou para trabalho pesado. Hoje, ou nos adaptamos, ou ficamos obesos, uma vez que a rotina mudou, mas alguns itens do cardápio não.
Para os alarmistas, em um futuro breve, o maior problema não será excesso de comida, mas a falta dela, e portanto seremos obrigados a mudar o menu. E, você? Trocaria seu gulasch por um prato de grilos grelhados?
*Foto: Reprodução Geraint Lewis/DER SPIEGEL
Dekamu’si
22 mar 2011 1 Comentário
Uma fábrica de panelas esteve entre as primeiras a se instalar no bairro do Cambuci, em São Paulo, que atraiu dezenas de indústrias de todo o tipo no começo do século 20. E atraiu também centenas de imigrantes, especialmente italianos, sírios e libaneses, que foram se instalando nas pequenas casinhas operárias. O contorno das ruas deixou de ser delineado pelo córrego do Lavapés, que batizou a rua de mesmo nome, e passou a ser definido pelo cenário do desenvolvimento.
Hoje, a fábrica de panelas, e as outras, já se foram, deixando apenas esqueletos de seus prédios deitados na paisagem. O bairro está longe de ser conhecido por qualquer coisa que tenha a ver com cozinha. Mas no último fim de semana, um evento trouxe à tona uma história que por muito tempo ficou relegada aos tempos do córrego do Lavapés, quando as fazendas ainda eram abundantes na região.
A Rota Gastronômica do Cambuci começa com uma grande revelação a muitos “caipiras da cidade”: cambuci é uma frutinha, de sabor bastante ácido e, por isso mesmo, pouco consumida in natura. E, sim, foi ela que batizou o bairro, por conta dos inúmeros cambucizeiros que existiam por ali. O nome da frutinha vem do tupi dekamu’si e significa vaso, ou urna – por conta do formato dela. O cambuci é utilizado, principalmente, para produção de cachaças, mas também em doces, geleias, sucos.
Com a Rota, produtores da fruta pretendem divulgá-la e garantir sua preservação. O cambuci, nativo da Mata Atlântica, há um ano integra a “Arca do Gosto”, uma lista de sabores do mundo que devem a ser preservados – quase um Patrimônio Gastronômico Mundial. A lista é definida pelo Slow Food, movimento sediado na Itália, cujo principal objetivo é impedir que tradições gastronômicas se percam no tempo.
Quem quiser conhecer mais sobre a frutinha, pode se programar para os próximos eventos da Rota:
16 a 24 de abril: Paranapiacaba
13 a 15 de maio: Rio Grande da Serra
27 a 29 de maio: Salesópolis
23 a 35 de junho: Paraibuna
20 e 21 de agosto: Mogi das Cruzes
01 e 02 de outubro: Encerramento no Mercado Municipal de São Paulo
E, de quebra, uma receitinha que está no livrinho que ganhei no evento:
Pudim de Cambuci
Ingredientes
1 lata de leite condensado
a mesma medida de suco de cambuci (batido no liquidificador: 5 unidades de cambuci e um pouco de água)
3 ovos
Modo de fazer
Bata as claras, acrescentando as gemas em seguida. Coloque o leite condensado e, por último, o suco de cambuci. Coloque a massa em uma fôrma média, já coberta com calda de açúcar e asse em banho maria.
Química na cozinha
31 jan 2011 Deixe um comentário
Não é de hoje que química e culinária andam juntas. Ferran Adrià talvez seja o expoente deste movimento – que nem acho que seja exatamente um movimento. Mas o engenheiro Jeff Potter, que também arriscou unir os dois, e escreveu o livro “Cooking for Geeks — Real Science, Great Hacks, and Good Food”, diz que no futuro os equipamentos de cozinha vão nos ajudar a calcular os números que garantem boa comida. Veja a matéria sobre ele na Galileu.
Foto: Stock.xchng
Brazil versus China?
27 jan 2011 1 Comentário
Quando estive na Alemanha, em 2007, estudei com uma chinesa, Xiao. Um dia, durante uma aula, o assunto comida apareceu e as pessoas a questionaram sobre o hábito chinês de comer iguarias como gafanhotos, escorpiões, e outros tipos de insetos. Na ocasião, não sem se mostrar um pouco ofendida, ela explicou que apenas em uma província de seu país as pessoas apreciavam este tipo de comida. Ela nunca havia colocado nenhum inseto na boca, e nem pretendia fazê-lo.
Estas diferenças são naturais dentro de um país que tem mais de 9 milhões de km², e onde vivem 1 bilhão de pessoas. Isso é de longe muito mais que o Brasil. Portanto, acho que podemos pensar duas vezes antes de criticar os hábitos alimentares desta cultura milenar. Por isso, não deu para não me sentir como a Xiao, quando vi esta matéria no NY Times falando sobre a tradição brasileira muito antiga de comer içás – as famosas “tanajuras”.
Ok, a matéria especifica que isso ocorre na cidade de Silveiras, interior de São Paulo. Mas ainda assim, fiquei com a impressão de que se trata de um costume brasileiro. Talvez pelo título – “Brazilian Tradition of Eating Ants”. De fato, isso não é uma tradição minha, brasileira, de São Paulo, que inclusive torceu o nariz ao ver as pessoas se deliciando com esta coisinha. Assim como no Pará se come o turu, aquela minhoca branquela, que vive em troncos de árvores apodrecidos. E que Alex Atala já tentou, certa vez, transformar em iguaria com “a cara do Brasil”, cozinhando estas coisinhas em azeite. Para mim, simplesmente não dá. Pense em feijoada, tutu, rabada, moqueca, acarajé, caruru, barreado. Na quantidade de peixes, frutas e verduras que temos. Sem dúvida alguma, nosso trivial é suficiente, e um tanto melhor para meu paladar.
Mel com pimenta
27 jan 2011 2 Comentários
Eu já havia passado em frente, sem olhar muito atentamente para a fachada amarela, com escritos em vermelho numa letra futurista. Mas ontem uma amiga de Salvador, que está descobrindo a região da Augusta, em São Paulo, falou sobre o Madhu. Nunca tinha ouvido falar. E, por acaso, também ontem, a caminho do Kebab Salonu, passei em frente ao descolado restaurante fast-food indiano e fiz a associação. Sim, já o tinha visto, mas nunca prestei atenção.
Hoje, já não tão por acaso, a Folha Comida trouxe uma pequena crítica exatamente sobre este local. Eu não sou exatamente mística, mas tudo isso num intervalo tão curto de tempo está me parecendo um ‘sinal’. Por via das dúvidas, e para alimentar minha paixão pela cozinha indiana, já incluí na minha lista de must visit, de preferência, soon. Quem sabe amanhã?
Em tempo. a palavra Madhu significa ‘mel’, ingrediente que também é usado na pimenta da casa, cujos pratos foram considerados bastante suaves pelo Josimar Melo (em sua crítica na Folha de S. Paulo de hoje).




