e-Bistrô

Junho 26, 2009

.::João Pagão::.

Arquivado em: Uncategorized — by alinesgarbi @ 12:52 am

P1010137 

Estive fora nas últimas semanas concentrada em produzir um programa sobre festas juninas. É, nestas horas adoro meu trabalho! Graças a ele pude conhecer de pertinho as fartas mesas do lugar onde as festas juninas duram trinta dias. T-R-I-N-T-A. Sim, é o Nordeste. E não, não estou exagerando.

No ano passado já havia publicado um texto no e-Bistrô sobre a origem das comidas juninas. E agora descobri mais! As festas juninas surgiram em tempos antigos, quando os homens aproveitavam o solstício de verão (no hemisfério Norte) para celebrar a colheita do que haviam plantado meses antes. Algumas coincidências como o possível nascimento de São João neste período do solstício, fez a Igreja achar uma ótima oportunidade de transformar em religiosas estas festas pagãs, e converter fieis.

Fato é que desde sempre estas festas estiveram ligadas à fartura da colheita. O milho, que é colhido exatamente neste período, acabou virando o grande símbolo da festa, e aparece cozido, na pamonha, no cural, na pipoca, na canjica…

Mas o mais curioso de todas as minhas descobertas foi ver as diferenças regionais. Cá em São Paulo tomamos vinho quente e quentão. No Sul, quentão é o nosso vinho quente. E no Nordeste, nossa canjica vira munguzá, e a canjica deles é nosso curau. O pé-de-moleque, então! Em Sergipe, ele é um bastãozinho feito de coco; na Paraíba, é um bolo feito de fubá e especiarias, como canela, coberto com castanhas. Aqui, apenas um docinho duro de caramelo e amendoim. Sem contar a variedade de licores que é produzida lá para cima – jenipapo, tamarindo… – e a mandioca, que vira aipim, macaxeira e até puba – que é extraída da mandioca, mas não é mandioca, hem?!

É lindo! E delicioso!

Aproveito para publicar uma receita de pé-de-moleque que não tem nada a ver com aquele nosso docinho de caramelo e amendoim. Quem me passou foi a Maria, da família Pereira, que nos recebeu num sítio do interior da Paraíba. Uma noite regada a muita chuva, quadrilha, forró, e muita, muita comida boa!

dona Maria e eu, inchada depois de tanto comer!

dona Maria e eu, inchada depois de tanto comer!

Aí vai:

Ingredientes
1kg farinha de trigo
4 ovos
500g de manteiga
1 litro de leite
1 colher canela em pó
1 colher cravo em pó (dica: se não tiver o pó, você pode esquentar o pauzinho de cravo, colocá-lo no meio de um paninho e bater nele um pouquinho para triturar)
1 colher erva doce em pó
castanha ou amendoim picado para polvilhar por cima no final

 
Preparo
Bater tudo no liquidificador ou batedeira e colocar na assadeira untada. Manter de 20 a 30 minutos no forno médio. Ou, nas palavras de dona Maria, “quando você colocar a faquinha no bolo e ela não sair mais suja, é sinal que tá bom”.
 
***Dá para fazer com fubá também, mas para isso é necessário, antes, fazer o cuscuz – aquele do Nordeste, amarelinho, nem um pouco parecido com o paulista – e misturá-lo a uma xícara de farinha de trigo.  E as especiarias devem ser em pó porque além de sabor, são elas que conferem a cor do bolo final!
 
 

 

 

Sem comentários ainda »

Nenhum comentário ainda.

Feed RSS dos comentários deste post URI do TrackBack

Deixe um comentário

Provido por WordPress.com