Cozido, mexido, frito, omelete. Isso sem contar os doces, como quindim, ambrosia, e todos aqueles bolos, tortas, pudins e outros tantos que não existiriam sem ovos. Pois é, hoje é o Dia Mundial do Ovo. A data foi instituída pela International Egg Comission (sim, existe uma!), em 1996, com o intuito de divulgar os benefícios do consumo deste alimento, provavelmente quase tão antigo quanto a própria humanidade.
No Brasil, quem faz este trabalho é o Instituto Ovo Brasil, criado em 2007. Segundo a entidade, um ovo contém apenas 75 calorias e 13 nutrientes que são essenciais ao organismo, não possui gordura trans, auxilia no ganho de força muscular, entre outros benefícios. Tudo isso é muito bom, mas o melhor de tudo é que o mito do ovo-vilão já caiu por terra há algum tempo. Uma das melhores notícias dos últimos tempos para glutões como eu.
Podemos comê-lo no café-da-manhã, almoço e jantar, sem culpa! Tão fundamental, mas também tão trivial, ele está até mesmo no nosso português, sem que a gente perceba – “frigir dos ovos”, “baba-ovo”, “estar de ovo virado”, “pisar em ovos”, “é um ovo!”.
O Houaiss ainda tem mais uma infinidade de expressões populares com essa palavrinha, que vem do latim, óvum. Em inglês, egg. Em espanhol, huevo. Em francês, oeuf. Italiano, uovo. Alemão, ei. Chinês, 卵. E, em bom português, duas receitinhas bem criativas para copiar.
Ovos ‘poché’ ao vinho tinto
Ingredientes
20 cubinhos de toucinho, sem o couro
1 cebola média, cortada em rodelas finas
1 colher de sopa não muito cheia de farinha
2 copos de vinho tinto (Pinot Noir)
1 dente de alho amassado
1 ramo de tomilho
1 ramo de salsa
1 folha de louro
4 ovos graúdos ou 8 pequenos
1 fatia de pão de forma sem casca e torrada para cada ovo
sal e pimenta-do-reino a gosto
Modo de preparo
Numa panela refogue a cebola com os cubinhos de toucinho. Quando pegar cor, junte a colher da farinha de trigo e mexa por alguns minutos. Regue com o vinho tinto e tempere com sal e pimenta-do-reino. Junte o dente de alho, amassado, o tomilho, a salsa e o louro. Deixe ferver por 20 minutos. Faça os ovos poché neste molho, colocando um a um com cuidado para que não arrebentem. Cozinhe por três minutos. Em cada prato, coloque a torrada de pão de forma e, sobre ela, o ovo poché (retirado do molho com uma escumadeira). Regue com o molho e sirva imediatamente.
Sanduíche de Ovo no Pão Árabe
para 2 pessoas
Ingredientes
1 colher de sopa de óleo de canola
1 cebola pequena picada
1/2 cenoura, picada
1 xícara de floretes de brócolis
1/2 talo de alho poró fatiado
1/2 abobrinha picada
1 tomate
vagem torta
2 ovos
sal
2 pães árabes
Modo de preparo
Em uma frigideira quente coloque o óleo e a cebola e mexa bem. Junte as ervilhas tortas e mexa. Deixe as ervilhas por baixo e coloque os outros legumes. Ponha um pouco de água e tampe. Teste o sal. Deixe os legumes cozinharem até o ponto desejado. Quando os legumes estiverem no ponto quebre os ovos por cima. Salgue. Abra o pão cortando uma tampa. Com uma escumadeira, retire o ovo com os legumes e coloque no pão.
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Para digestão: crônica de Luiz Fernando Veríssimo – publicado em 1999, no Jornal Zero Hora
Agora essa. Descobriram que ovo, afinal, não faz mal. Durante anos, nos aterrorizaram. Ovos eram bombas de colesterol. Não eram apenas desaconselháveis, eram mortais. Você podia calcular em dias o tempo de vida perdido cada vez que comia uma gema. Cardíacos deviam desviar o olhar se um ovo fosse servido num prato vizinho: ver o ovo fazia mal. E agora estão dizendo que foi tudo engano, o ovo é inofensivo. O ovo é incapaz de matar uma mosca. A próxima será que o bacon limpa as artérias. Sei não, mas me devem algum tipo de indenização. Não se renuncia a pouca coisa quando se renuncia a ovo frito. Dizem que a única coisa melhor do que ovo frito é sexo.
A comparação é difícil. Não existe nada no sexo comparável a uma gema deixada intacta deixada em cima do arroz depois que a clara foi comida, esperando o momento do prazer supremo, quando o garfo romperá a fina membrana que a separa do êntase e ela se desmanchará, sim, se desmanchará, e o líquido quente e viscoso correrá e se espalhará pelo arroz como as gazelas douradas entre lírios de Gilreade nos cantares de Salomão, sim, e você levará o arroz à boca e o saboreará até que o último grão molhado, sim, e depois ainda limpará o prato com o pão. Ou existe, e eu é que tenho andado na turma errada.
O fato é que quero ser ressarcido de todos os ovos fritos que não comi nestes anos de medo inútil. E os ovos mexidos, e os ovos quentes, e os omeletes babados, e os toucinhos do céu, e, meu Deus, os fios de ovos. Os fios de ovos que não comi para não morrer dariam várias voltas no globo.
Quem os trará de volta? E pensar que cheguei a experimentar ovo artificial, uma pálida paródia de ovo que, esta sim, deve ter roubado algumas horas de vida, a cada garfada infeliz.
Ovo frito na manteiga! O rendado marrom das bordas tostadas na clara, o amarelo provençal da gema… Eu sei, eu sei. Manteiga não foi liberada. Mas é só uma questão de tempo.

Ficou ótimo o seu texto do ovo!
A crônica é engraçada!
Gostei!
Bom retorno ao blog!!
Comment por Mariane — Outubro 13, 2009 @ 5:09 pm |