Gente versus Comida
14 jul 2011 Deixe um comentário
Não é de hoje que se discute a questão da fome no mundo. Para pessoas que, como eu, estão em São Paulo – “Capital Mundial da Gastronomia” – esta parece uma realidade distante. Mas não é preciso cruzar o Atlântico até a África para se deparar com quem não tem o que comer, ou para quem come feijão com farinha todo dia porque é o que tem “pra” hoje. Contra a cultura do consumo desenfreado, da produção de alimentos industrializados, criados à base de agrotóxicos, hormônios e abate de animais de maneira cruel, há quem defenda o retorno as raízes, a horta caseira, a galinha de granja…
Eu mesma, crescida em São Paulo, tive oportunidade de sempre passar as férias na casa dos avós, num sítio, no interior paulista. Comi fruta do pé, galinha de granja, porco criado com “lavage”. Ajudei minha avó a regar a horta, de onde saiam todo o tipo de verduras… E acho que seria uma delícia se todos nós pudéssemos comer desta forma ainda hoje. Sim, porque o sabor é, de fato, inigualável.
No entanto, o tamanho da população mundial já torna este processo inviável. Esta semana, ao ler um artigo do ex-Secretário do Meio Ambiente de São Paulo, cheguei à conclusão que estamos diante de uma equação que parece insolúvel: 18,1 bilhõe versus 13,4 bilhões. Esta é a diferença entre o total de hectares necessários para alimentar a população mundial, e o total disponível. A solução imediata seria mudar nossos hábitos de consumo. Mas, de que modo isso traria, de fato, algum impacto a quem, de fato, passa fome?
Já há uma corrente que sugere que nós, seres humanos, precisaremos aprender a tirar nossos nutrientes de outras fontes, como insetos, por exemplo (leia mais). Alex Atala dividiu, em entrevista ao Roda Viva, na TV Cultura, suas experiências provando insetos ao redor do mundo. Mas é preciso confessar que, incialmente, é difícil trocar um belo prato de arroz com feijão por um gafanhoto salteado na manteiga.
A natureza, de quando em quando, dá demonstrações de força, como que querendo chegar a uma solução, pelo modo mais cruel, e mais direto: eliminando as pessoas. Mas, se não é isso que queremos, obviamente; e também não sabemos para onde vamos, será que há luz no fim do túnel?
